O homem dentro da casca - Radyr Gonçalves

Lirismo não poético - Radyr Gonçalves


Todos os meus delitos estão escritos no meu diário de pedra
Calcificados em meio ao lodo e aos fungos

Minha falta de placidez – minha inobservância do todo
O tudo que não eu percebo – o dormir tarde, acordar cedo
Sempre como um relógio inglês

Tornei-me um homem mecanicamente pacífico
Preso no meu paço irreal – sem contar os passos do caminho
Sem notar as tempestades, os vendavais, as estações
Um faroleiro irresponsável que sempre se esquece de acender a luz

Minha desventura deturpada – meu desvencilhar nada poético
Minha mudez de pedra – minha surdez de parede
Tornei um homem completamente sem asas
Se eu despencar daqui dessa ribanceira é bem certo que a lei da gravidade me abrace...

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Radyr Gonçalves
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