Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

Dama esquecida - Saleth Dias Mourão


Quando a noite cai colho meus silêncios
Solidão de cama – dama-flor-esquecida
Ave desencantada que já não canta
E guarda o cio numa caixinha de cedro

Respiro o ar da minha sombra e choro
Lágrima alguma molha minha face
Choro fora do alcance do comum
Choro onde a alma dobra e se enforca

Quando a madrugada desce – minha tez arrefece
Pareço morta – estátua de trigo, de tão branca
Alva mulher cor de neve – que não se atreve
Não busca a chama, o fogo da pele, o verso que inflama

Calada – morre a madrugada, vem chegando o dia
O vento do arrebol bate no vitral
As cortinas bailam sob a batuta da manhã que nasce azul
Meu Deus, as cortinas são mais vivas do que eu!

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DAMA ESQUECIDA
Saleth Dias Mourão

Saleth Dias Mourão é um heterônimo de Radyr Gonçalves


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