Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

A precariedade da minha poesia - Radyr Gonçalves


Minha poesia incompleta – desconhece a seta
O compasso, o roteiro, a nota de rodapé
Deselegante, minha poesia é trôpega
Trafega enlutada pelas vias de mão-inglesa
Perdida no tempo/espaço das horas ociosas

Insones versos de quem cultiva arrozais imaginários
E cria corvos alcoviteiros que deram as mãos aos espantalhos

Minhas poesias mal engendradas
Sem o fruto nato da inspiração
Semente que não brota do chão
Folha que vaga solta pelas calçadas

E nada diz – não foi escrita pelo falo/giz
Nem pelo grafite, muito menos pela caneta
Nunca vão para o papel
Viram anjos - vão para o céu
De lá são expulsas para o inferno
Eterno.

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Radyr Gonçalves
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