Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

A insensibilidade dos pardais - Radyr Gonçalves


Minhas queixas vespertinas não mais sensibilizam os pardais
As gaivotas se fazem hostis aos meus dilemas
E a brisa sopra ao norte quando chego

Estou propenso à solidão

Vou plantar cássias para colher magnólias
Vou colher luas e saborear marés

Preciso sair deste escafandro
E nadar etéreo, profundo
Preciso tecer um mundo
Sem insônia, sem Propofol

Há um estimulo além das grades
Noto sorrisos impossíveis
E sonhos depois das guerras

É urgente minha ânsia de ressurgir
Equilibrar minhas manhãs
Ciciar para o tempo
Enterrar as queixas
E viver

Meu sistema endócrino está um pandemônio
Ou paro e começo a moldar poesias de nuvens
Ou à tarde, os pardais, a brisa, o mar
Irão de fato, me abandonar...
Morrerei como morrem as ondas no encontro das pedras?

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Radyr Gonçalves
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