Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

Das belezas da solidão - Radyr Gonçalves


Não, não há tanto desconforto na solidão
E a solidão não é um quarto triste
Com um anjo com o dedo em riste
Um chão forrado de dor – um jardim sem flor
Não, não!

Minha solidão é o paraíso das contemplações
Um pavilhão de encantos – com versos espalhados nos cantos
Quimeras de um só – utopias de abril – canções de sino

Não, não imagine a solidão como algo doloroso
A solidão é a escola maior – o dó de uma música maviosa
Passarinho de livre pensamento
Não tenha a solidão como um lamento

O homem só - vislumbra melhor as estrelas
Tece com pericia o poema/artesania
A solidão não é depressão, agonia
Pode ser a religião sagrada do buscador
Do aventureiro interior

Que não encontra a razão somente nas coisas aqui do chão
E voa alto – além do asfalto da confusão comum

(Mas não é pra qualquer um).

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Radyr Gonçalves
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