Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

Banho de Mar - Invisível Palpável - Radyr Gonçalves

                                          

Um sol manso banha a praia grávida de nuvens cinza
Água do mar é bom para lavar a alma
Acende, ascende
Enche a vida de vida

Essa vida lívida de quem olha para o futuro é enxerga o monturo
A lápide com alguma inscrição nervosa
De quem nada foi
O que será escrito no mármore barato?

Resta ao homem sensível olhar o mar
E debruçar-se nesse viés místico das coisas
O sal cura as dermatites – ao menos
Minora a tristeza da pele
Essa tristeza de homem urbano preso nos olhares da turba que não olha para nada

Ninguém percebe a flor do mar
Haveria uma sereia banhando-se nas pedras?
Ninguém sente o sabor do sal
O calor do outro, o abraço do outro, a vontade do outro
O outro é apenas um coadjuvante na cena acelerada

Resta ao poeta desiludido abraçar a onda
Imaginar barcos salva-vidas de sonhos
Viajar por entre esses hemisférios astrais
E debulhar o elemento quântico
Energizando-se do invisível

(O invisível é paradoxalmente a coisa mais palpável para mim).

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Radyr Gonçalves
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