Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

Primeira poesia




Procuro poesia em meus pés
Meus pés são tão feios
E meus caminhos tão livres
Que invento pântanos

Eu tenho passarinhos nos cabelos
Ninhos de João-de-barro
Eu tenho um coelho em um chapéu de couro
E mágicas risíveis de tão desastrosas

Sou um sujeito sem musicalidade
Na vida
Na poesia
Nas vias que traço
No peito
Nos olhos
No braço

Sou um sujeito infinitamente sem graça

Minha poesia é uma galinha caipira
Pedrês, com dezenas de pintinhos amarelos

Minha poesia é para não ser poesia
De tão poesia que não é

É para não se pensar
Por que pensar em não pensar
Pode encher a vida de sentimentos vazios
E o vazio, às vezes
É de suma importância...

O vazio às vezes nos preenche.

-
Radyr Gonçalves

In A Poesia Radyrniana