Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

Dominguices




Todo domingo eu morro uma peça
Uma luz opaca engolfa meu corpo
E começo a perambular por um labirinto

Eu me perco
Há um cerco
Uma cerca

Meu verso começa a empalidecer
Eu limpo os pés no capacho
Lavo a alma com parafina paranormal
E começo a pleitear com os fantasmas

Eu falo de política
Das parafernálias quânticas
Das revelações de Semyon Kirlian
Da fruta parisiense

Eu morro dominicalmente

Morro enquanto escrevo
Morro enquanto o frevo
Enfeita Olinda

Morro enquanto o mundo descamba
Morro enquanto o samba
Samba na cara dos céticos.

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Radyr Gonçalves, in A Poesia Radyrniana