Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

Dominguices



Não, eu não consigo decifrar os domingos
Esgueiro-me por entre os fios da loucura
Fulana também é louca
Fulano também é mouco
Sicrano não sei se é

Sim, mas eu não consigo desmistificar os domingos
A paisagem ao redor dos biquínis
A sincronia mística dos passos femininos
A mecânica dos rebolados...

Nada sei da alma dominical
Mas parece tão óbvio
Gaivotas, tremores de terras, talk shows
Reza, coiotes, cadáveres, funerais
Notícias quentes de jornais frios

Não, eu não consigo entender porque domingo tem esse cheiro
Essa cara de vazio
Esse aspecto facial de quem viu fantasma
Esse pasmar de fim de mundo

Mas eu sei que no domingo as pessoas engordam

Ficam mais preguiçosas
Mentem menos (As pessoas mentem mais durante a semana, acreditem)...

No domingo a inspiração é posta na balança
A alma para
O corpo dança

Mas as coisas importantes
As indecifráveis
Continuam lá...
Volitando em meio às brumas dos segredos

Enquanto segunda-feira boceja...

-
Radyr Gonçalves de Araújo