Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

Das Angústias Humanas



A palidez dos paralelepípedos pisoteados
Paralisam minha desnorteada mente

É tanto fruto sem semente
É tanta dor na dor da gente
Que o chão abre-se de angústia sob nossos pés...

Uma poesia sem chão, quase sem noção poética
É o que vejo nas avenidas
Homens sem ternura
Contando suas feridas

E tantas são as feridas dos homens, meu Deus!

A exatidão do tempo aconselha o homem
Mas o homem não tem remendos, meu Pai!

O homem é este trapo, ingrato
Que lambe a lama
Que cospe no prato
E não se dobra

E cobra
E mata
E rouba a si mesmo

O homem é soberbo
E a soberba corta

Fecha tudo que é porta
Lacra as janelas
Corrompe a maloca
Onde poderia viver em paz

O homem, rapaz...
É esse cais perturbado
Que atormenta com o olhar
Os braços deste velho mar
Causando estas tempestades...

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Radyr Gonçalves