Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

A Morte manda uma rosa



Meu pecado
Minha concupiscência
Minha fala enfadonha
Minha peça de sangue...

Estou aterrorizado com minha insônia
Com minhas lágrimas secas
Com a serpente que em mim habita
Com o mal que faz fronteira com minhas retinas

Meu triste pensar
Minha estiagem de fé
Minha graúna engaiolada
Meu corvo não poético

Estou assombrado com as minhas angústias
Com os meus pés calejados
Com as mandrágoras pútridas no velho balaio
Com a morte, que todos os dias me manda uma rosa
Acompanhada de um bilhetinho...

É enlouquecedor.

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Radyr Gonçalves