Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

Sobre o pó, a nudez, a morte e biscoitos de maizena




Veja
A moça quase nua fala de biscoitos
Não tenha um coito
São biscoitos de maisena apenas

A moça de seio dourado
Finge ser livre
Desnuda
Diz não ter cadeados

Mas está presa, coitada
Presa na busca de sua liberdade de fêmea

A moça de bunda de fora
Não sabe onde mora
Nem bem o que quer

A liberdade, mulher
Ninguém sabe onde mora
Mas chegará a hora
Em que toda liberdade
Estará não no nu
Mas na morte

Que bate à porta
Cheia de asas
Com suas brasas
E teses do céu
Do inverno

Falando da única religião verdadeira:
O pó.