Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

O povo não presta





A multidão ensandecida
Louca, varrida
Abraça a morte como se abraçasse com saudade um amado

Tenho escutado canções
Que dizem de fome, poder, castidade
E tudo é religião
E nada tem mais salvação

O povo não presta
As digitais satanizadas prosperam
O povo é a besta
Apocalíptica besta que aponta
A mão, o braço, a testa
O povo não presta
O povo reclama do povo

A multidão em polvorosa
Se esgana, se esmaga
Se enrosca
Abraça o erro como se abraçasse um filho
Cospe pra cima
Caga na urna
E reclama da fome

Quem vai entender o racional bicho que chamam de homem?