Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

A Pequena Mademoiselle Infernal





Cruzou o olhar pela vastidão do oceano
Deu pano para fotos, novelas, poemas, cinema
Encortinou as pernas na proa
E deixou o vento bailar na exatidão do seu tempo

Sua má-criação chamou atenção dos pescadores
Uma pequena mademoiselle de coxas arredondadas
De olhos verdíssimos, de pele dourada

Boca de sereia, seios de mormaço, olhos de mar

Sua beleza diabólica não caberia num romance vespertino
O seu abraço lírico seria uma armadilha pra um libertino

Sua má-reputação é uma arte
Suas caricias beiram o inferno

Sua luz desafia o sol
Sua beleza humilha a lua

Acalma os seios com um polegar
Tira as sandálias
A saia, a blusa
Arranca cada folha artificial
E nua

Se veste de mar
Sob os olhares alvoroçados da tribulação

Que assiste com o sol
A noite rebentar no cais

E a paz dos extasiados se faz
Um silencio gemido
Tão intimo
Que não tem como descrever.

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Radyr Gonçalves
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