Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

Quimera de Novembro



É novembro
Aproveite o cio da primavera

As orquídeas há muito já versejam nos jardins
E os colibris há muito se aninham no ar

É preciso saber sentir o perfume das flores
É preciso saber desnudar um ramalhete

Pare e note as cores de novembro
Desde setembro as tardes estão estampadas
Mas demoramos tocar o que é encantado
E nem percebemos

Parece-me maduros os jambeiros
E os ipês já se apressam em vestir-se

É preciso contemplar os poemas
Tocar o inatingível, quebrar o inquebrantável
Contemplar os viços ao redor
E viver

Pois a vida é um poema apressado
Como os setembros
Que a gente olha pelos vitrais
E logo ficam pra trás.


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Radyr Gonçalves
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