Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

A equilibrista Parisiense




Sem vontade de ser poesia
Foi ser equilibrista
Em Paris
Torceu o nariz pra América
E se diz ser feliz

Mas como pode ser?
Ser feliz sem ser poesia
Vida sem rima
Sem fantasia
Sem as imagens nuas
Das noites descabidas

Sem o vinho dos cabarés
Sem o peito dos rapazes
Sem o lenho quente do gozo fresco
Sem o precipitar dos penhascos

- Ser equilibrista basta!

Gritou Adélia do alto da torre

Pra quê me fazer poesia, se na agonia do ser
Morre meu melhor verso:
Você.

-
Radyr Gonçalves
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Da coletânea Poesias para Edvania

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