Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

A TRISTEZA BORDADA PELA NEBLINA








Nada entendo da neblina

Que mancha a paisagem

Da minha leve miopia



Nada busco na névoa triste

Estou aqui apenas por que me sinto perdido

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Os vendilhões cobram caro por um cobertor

Eu careço de um corpo que me aqueça

De uma sopa de lua quente

De algo fervente que me acenda

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Eu preciso andar sobre brasas

Pois nada entendo de vulcões

O frio aqui dentro me destrói

Não tenho lareira, nem um amor que me acenda uma fogueira

Estou só neste quase inverno que a noite bordou

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Nada entendo de garoa

Esta cena que me abate

É apenas o acaso pintado

Que está aí pra me atormentar

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Preciso rezar por fogo

Por uma chama, uma luz, uma fagulha particular

A névoa me embaça as vistas

Eu preciso acordar com os raios do sol

Roubando um sorrindo da minha face.



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Radyr Gonçalves

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