Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

PADECENDO




Minha alma desalinhada padece no beco sem saída que os poetas chamam teimosamente de amor. Nada peço ao mar, senão que me lance de volta minha pérola. Eu quero minha poesia de volta. Desde de ontem que estou aqui na beira do cais da velha Ribeira chorando em versos. Meu violão desafinado entrou na minha: esta triste, melancólico, calado. Até o mar cessou o seu bailado. Qual artifício usarei para que o mar se compadeça de uma alma apaixonada? Estou perplexo com a força dos pescadores. Tenho me alimentado da energia destes homens que cortam o mar como uma lâmina. Queria ter essa força, talvez meu amor me visse como um herói, um deus do mar. Queria ter mais coragem, para ao menos me sacrificar do alto da pedra e assim morrer de amor.


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Radyr Gonçalves

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