Ainda sobre o amor ♦ Radyr Gonçalves

FELICIDADE BORDADA



Bordo minha felicidade com linha de seda e lua. Choro cristais para ornar colares de risos. Não adianta chorar lágrimas salobras se podemos adoçá-las com umas gotas de ternura. A vida é tão apressada para criarmos laços com a morte. Toda vez que ampulheta respira um segundo, morremos um pouco. Então pra quê abraçar o negror das vicissitudes? Bordo minha felicidade com fios raros de humor. Não choro amores, nem coleciono insônias. Não reverencio paixões que me dilacerem o fígado. Eu descobri que nada que me roube o riso vale a pena.


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Radyr Gonçalves

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